Tem planta quebrando concreto
Tem vida pedindo passagem
Tem gente preferindo o deserto
Com medo da própria paisagem
Tem olho que só vê o inferno
Mesmo com sol no quintal
Confunde prisão com conforto
E chama o normal de fatal
Mas a raiz sabe o caminho
Mesmo pisada ela vai
O tempo ensina baixinho
Quem fica e quem não cai
Eu escolho ver flor
Onde disseram que é chão
Eu escolho o amor
Mesmo em tempo de não
Se o mundo fecha a visão
Eu aprendo a enxergar
Tem planta no meio do caos
Só espera quem queira regar
Tem gente vivendo no excesso
Com sede de algo real
Tem fé vestida de pressa
E alma em modo automático geral
Tem quem confunda silêncio
Com falta de voz pra lutar
Mas toda semente no escuro
Tá só esperando brotar
Eu escolho ver flor
Onde disseram que é chão
Eu escolho o amor
Mesmo em tempo de não
Se o mundo fecha a visão
Eu aprendo a enxergar
Tem planta no meio do caos
Só espera quem queira regar
Nem todo verde é visível
Nem toda dor é o fim
O que parece impossível
Tá crescendo dentro de mim
Eu escolho ver flor
No concreto do dia a dia
Eu escolho ser luz
Mesmo quando a noite desafia
Se o olho insiste no inferno
Eu vou contrariar
Tem planta quebrando o concreto
E eu vou ficar pra cuidar
Robson POETA