O tribunal do crime tá vestido de gravata,
Vidro fumê, reunião fechada,
Fuma cebola, cheira cocada,
E jura na câmera que não sabe de nada.
Tem fumaça no teto, champanhe importada,
Sorriso branco, faca engatilhada,
A cidade sangrando na madrugada,
E o povo virando estatística apagada.
Todo mundo viu, ninguém vai falar,
Quem grita verdade mandam silenciar,
O luxo perfuma o cheiro do caos,
E o lixo humano virou ritual.
É tudo doce nessa bomboniere,
Veneno servido em prato chique pra quem quer,
O riso deles compra a madrugada inteira,
Enquanto o medo dorme na cabeceira.
É tudo doce nessa bomboniere,
Mas quando explode ninguém interfere,
Trocam teu nome, tua dor, tua história,
Depois vira meme no jornal das seis horas.
Tem doutor vendendo sentença barata,
Tem pastor lavando culpa na prata,
Tem influencer fazendo piada,
Enquanto a favela recolhe a quebrada.
O diabo agora usa perfume francês,
Fala bonito em português e inglês,
Te abraça sorrindo, te chama de irmão,
Mas deixa teu corpo estendido no chão.
E dança a sirene na avenida vazia,
Mais um CPF virou fotografia,
No camarote brindam normalidade,
Enquanto enterram a humanidade.
É tudo doce nessa bomboniere,
A morte maquiada sempre reaparece,
Vestem o horror com roupa de celebridade,
E chamam de progresso a brutalidade.
É tudo doce nessa bomboniere,
Mas quem tem alma ainda percebe,
Que por trás do brilho da cidade acesa,
Tem sangue escorrendo embaixo da mesa.
Robson POETA